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7 Características da nova liderança
neopentecostal
Pr. João A.
de Souza Filho
Ao longo dessas quase cinco
décadas de ministério pastoral comecei a
observar a tendência da igreja brasileira e os
rumos que tomou. Depois que li uma pequena nota
de Renato Vargens no blog http://www.pulpitocristao.com
achei que poderia contribuir acrescentando 7
características da nova liderança pentecostal.
Com o surgimento dos movimentos pentecostais
novos, comumente chamados de neopentecostais,
algumas características se tornam evidentes na
liderança dessa parcela eclesiástica.
Contrariamente às
recomendações de Pedro aos líderes da igreja de
que o líder deve ser (1) testemunha (mártir) dos
sofrimentos de Cristo; (2) de que não deve
exercer o pastoreamento por constrangimento,
isto é, obrigado a pastorear como se a igreja
dependesse dele; (3) de que não deve andar de
olho no dinheiro alheio (sórdida ganância) e (4)
de que não deve ser dominador do povo, ou do
rebanho porque este é de Deus, muitos dos atuais
líderes da igreja, especialmente os que ostentam
o título de apóstolos agem no sentido oposto.
Procure ler o texto de 1 Pedro 5.1-4.
A seguir colhi sete
características dessa liderança atual – que não
é apenas da liderança neopentecostal, mas também
de muitos líderes de igrejas pentecostais
históricas.
1. Autoritarismo. Tais
líderes advogam a si o direito de ter a palavra
final em questões doutrinárias e de práticas
cristãs. Creem que podem criar novos padrões de
ensinamento e neles atrelar a congregação. Era
assim também no passado quando pastores de
denominações pentecostais decidiam o que o povo
devia usar, o que pensar e em como viver.
Felizmente algumas denominações amadureceram e
abandonaram tais práticas que vêm sendo adotadas
com grande ardor pelos novos líderes
pentecostais. As pessoas são orientadas a
viverem conforme o pensamento do líder e de
maneira a agradá-lo. A “doutrina” ou ensinamento
apostólico foi por eles aperfeiçoado, porque
tirou do povo o direito à vida e de decidir o
que fazer e de como viver.
2. Dominadores do rebanho.
Hoje os apóstolos, bispos, presbíteros e
pastores – não importa o título que ostentem –
decidem se os membros devem celebrar o Natal, os
alimentos que devem comer, as festas que podem
participar, os DVDs que devem assistir e quais
igrejas ou congregações podem visitar.
Tal autoritarismo não é
próprio apenas de igrejas neopentecostais, mas
também de alguns que se dizem “igreja” sem nome;
comunidades cristãs, etc. que mantêm sob regras
rígidas o comportamento e o estilo de vida de
seus membros, ou discípulos. É possível ver este
autoritarismo em várias denominações também.
Nunca ouse pensar ou agir de maneira que
contrarie seu líder! O líder é o novo paradigma
ou modelo de fé a ser seguido, e não os modelos
da Bíblia.
3. Ganância financeira e
luxúria. A ostentação de riqueza, o ganho fácil
e a confortável vida movida a aviões particular,
helicópteros e festas não é própria apenas dos
neopentecostais, mas também de outros segmentos
da igreja – uma dessas igrejas, até bem
tradicional, em que seu líder se locomove para a
casa da montanha de helicóptero, enquanto exige
que seus membros nem televisão possuam!
Enquanto milhares de
obreiros residem em casas modestas no meio de
sua comunidade, ao nível do povo que pastoreiam,
vivendo na simplicidade, buscando o mínimo de
conforto, outros se afastam do meio do rebanho e
passam a viver em condomínios inacessíveis ao
povo. Sua congregação não tem acesso a casa
deles – diferentemente de quando nossa casa
estava aberta aos irmãos. Essa é a nova cara da
liderança eclesiástica da igreja brasileira.
4. Usam o púlpito como arma
de ataque. Por trás do carisma que lhes é
peculiar tais ministros fazem o que querem com o
povo; se justificam, demonstram humildade e
santidade e aproveitam para atacar sutilmente os
que lhe desobedecem as ordens. Frases como
“aconteceu tal coisa porque não ouviu o homem de
Deus” é comum ouvir de seus lábios. É a
justificação de uma aparente santidade. As
pessoas precisam vê-los como homens de Deus,
líderes espirituais íntegros; no púlpito diante
de seu povo riem, choram, profetizam, pulam,
gesticulam e pregam mensagens de prosperidade.
Assim, conseguem encobrir do rebanho suas
verdadeiras intenções, para que este não se
interesse em saber como é a vida deles no dia a
dia de sua vida particular.
E grande parte dos crentes
defende o estilo de vida de seus líderes, e se
dobra perante eles como faziam os escravos
diante de seus senhores.
5. A sacerdotização do
ministério. Alguns desses novos líderes criaram
a nova casta de “levitas” que são os que cuidam
do louvor da igreja, mas criaram também a
“família sacerdotal” que é composta do líder e
de seus familiares, num atentado grotesco ao
verdadeiro sacerdócio de Jesus Cristo. Muitos,
ainda que reneguem publicamente tal conceito,
ostentam-no no ensino aos seus líderes, isto é,
estes são orientados a considerá-los sacerdotes
de Cristo a serviço do povo. “Nós somos
sacerdotes” de Deus para cuidar do rebanho,
dizem, quando biblicamente toda a igreja é povo
sacerdotal!
6. O reino deles é deste
mundo. A nova liderança dos neopentecostais tem
outro foco que não é o reino de Deus futuro, mas
o reino deles, agora. Eles têm prazer nas coisas
do mundo. Seu império particular e o império de
sua denominação ou de suas comunidades
constituem o reino deles na terra. Enquanto
todos os demais trabalham para a vinda do reino,
esses novos líderes creem que estão no reino, e
que já são príncipes de Cristo aqui na terra. E
para viver como príncipes, formam seu séquito de
seguidores que os servem humildemente. Enquanto
Jesus apontava para a chegada iminente do reino
de Deus, a nova liderança da igreja crê que vive
o reino, aqui e agora!
Por isso intrometem-se na
política, pensando que por ela governarão na
terra e trarão o governo de Cristo aos homens.
E, da mesma forma que entram na política e
buscam para si títulos políticos, se prostituem
com o sistema e podem ser vistos agradecendo a
Deus pelas graças recebidas, como no caso dos
deputados evangélicos neopentecostais do
Distrito Federal. Estes são a pontinha do
iceberg, porque existem milhares de pastores
vendidos ao mundo e que recebem polpudas somas
de dinheiro para transformar sua congregação em
curral eleitoral.
7. Acreditam que o juízo
dos crentes não é para eles; porque estão acima
dos demais. Por isso, perderam o temor de Deus e
nem imaginam o que lhes espera no dia do juízo
de Cristo, quando todos haveremos de prestar
contas. Quando se perde o temor de Deus leva-se
uma vida desenfreada de pecado, escondida sob o
manto da espiritualidade e da vida piedosa.
Criticam a Balaão mas
vivem como ele, profetizando em nome de Deus,
mas de olho nos bens de Balaque – porque são
insaciáveis financeiramente. São estes os novos
líderes que à semelhança de Coré, Datã e Abirão
defendem seu sacerdócio e proclamam que também
“têm direitos espirituais”, como nos dias de
Moisés. À semelhança de Caim pecam voluntaria e
conscientemente, esquecendo que já receberam na
testa o sinal de Deus que os manterá sob juízo e
condenação.
À luz dessas sete
características é possível identificar o tipo de
igreja que se frequenta, o tipo de líder que se
obedece e decidir se deve seguir o caminho do
discipulado cristão ou se fará parte do novo
reino dos deuses da terra.
Pense nisso, e me escreva a
respeito.
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