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Stanley Jones

Os devocionais de Stanley Jones, um velho líder metodista do século XX são profundos demais para serem entendidos quando lidos uma única vez. Cada palavra e cada frase nos levam a remoer o que ele quer dizer. Tentei, na medida do possível traduzir o espírito do autor e o sentido de suas palavras que foram escritas num inglês clássico e oxfordiano.

Stanley Jones aborda o Mestre e sua maestria, e de como o Mestre nos ensina a sermos mestres e donos, isto é, a termos domínio sobre as áreas de nossas vidas.

Pra facilitar a leitura em vez de colocar o dia da semana, numerei cada devocional. Boa leitura.

 

1 – O Mestre

Se você quer encontrar o segredo de ter domínio precisará de um Mestre, e não poderá dizer: “Junte-se a mim; tenho tudo sob controle”. Você nunca poderá ter tudo sob controle – caso contrário será um desajeitado – um obnóxio. Para dominar você terá que entrar em contato com o verdadeiro Mestre, aquele que tem os recursos de um verdadeiro Mestre, alguém inerentemente dominador, que sabe como compartilhar e está disposto a compartilhar de seu domínio àqueles que aceitam suas demandas, e sua autoridade.

2 – O Mestre Compartilha de Sua Maestria

Hoje veremos como pessoas ordinárias entraram em contato com o poder extraordinário realizando, além de sua capacidade de ação coisas extraordinárias. A narrativa deste reforço divino pode ser lida nos Atos dos Apóstolos, ou como tem sido chamado “Atos do Espírito Santo através dos apóstolos”. E os registros de Atos são ainda incompletos, pois, como veremos, o movimento que transcendia aos apóstolos foi entregue nas mãos de pessoas leigas as quais realizavam mais que os apóstolos, às vezes apesar dos apóstolos. O movimento utilizava quaisquer instrumentos disponíveis e era sensível ao espírito e propósitos desta grandiosa redenção.

3 – “Jesus começou” – Quase Tudo!

Lucas, autor do Evangelho que leva seu nome e do livro de Atos abre seu relato assim: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar” (At 1.1). Observe a palavra “começou”. A vida, o ensinamento, a morte e a ressurreição de Jesus foram apenas o começo, o prelúdio, o primeiro capítulo de um livro; livro que nunca será finalizado – será escrito eternamente, o Livro da Vida do Cordeiro.

4 – A Palavra Se Fez Carne

Temos estudado a maestria ou domínio do Mestre. Ele é o início e o estímulo de tudo o que está operando para a redenção da humanidade. Pois, já que ele é a luz que ilumina os homens neste mundo (Jo 1.9) é também a vida de todos os que buscam a vida. Os homens não têm consciência da fonte de luz e vida que os faz sentir urgência para que vivam melhor individual e coletivamente, e esta fonte é Jesus, porque “a vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1.4).

5 – O Evangelho é Deus em busca do homem

No texto anterior abordamos o primeiro dos sete pilares sobre os quais se firmam o Evangelho: Jesus, a palavra que se tornou carne. O Evangelho não começa com Deus, e sim com Jesus. Você não pode dizer Deus antes de primeiramente dizer Jesus. Porque Jesus é que dá conteúdo a Deus. Não pode dizer Cristo sem que primeiramente diga Jesus, pois Jesus dá conteúdo a Cristo. Não pode falar Espírito Santo até que tenha falado Jesus, pois Jesus dá conteúdo ao Espírito Santo. Não pode declarar o reino de Deus até que primeiramente confesse a Jesus, porque Jesus dá conteúdo ao Reino de Deus. Não pode dizer Vida até que primeiramente diga Jesus.

6 – A vida se torna a luz

No texto anterior aprendemos que não começamos com Deus, nem com o homem – começamos com o Deus-Homem. E por ele trabalhamos pra Deus e dele trabalhamos para o homem. Na sua luz vemos a luz. Os cristãos são pessoas que crêem em Deus, no homem e na vida através de Jesus.

7 – Grandeza eterna no contexto de um fato temporal

Vimos no texto anterior que o segundo pilar é a Palavra Revelada. “Tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar”. Seu ensino fluía de suas obras. Era como se as obras ganhassem voz. E esta era a diferença. Todos os demais mestres aclamam para si a verdade. Jesus disse a respeito de si mesmo: “Eu sou a verdade”. E de alguma maneira cremos no que ele afirmou.

8 – O Domínio tem de Começar controlando a Moral

Vimos anteriormente que a Palavra se tornou Revelação, e esta revelação redundou em realismo. Suponha que o assunto se esgote aqui. Precisamos só de revelação, mesmo que esta revelação seja a última e perfeita? A revelação permitiria que víssemos a luz sobre o mistério da vida, mas não nos concederia Vida para podermos ter controle da vida. Não é suficiente ver, temos que ser capazes de ver operando em nosso interior o que vemos. Mas, o que existe dentro de nós?

9 – O amor suporta e se dá

Chegamos agora ao terceiro pilar que apóia nossa fé: A Palavra se Tornou Vicária. (“Vicário” tem o sentido de alguém que toma o lugar de outro - NT). “A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo.” A palavra “padecido” aponta para a cruz. É na cruz que Deus trata desta coisa terrível chamada pecado. A cruz é o preço que Deus paga para trazer o homem pra si apesar do pecado. Sendo o Deus que é e sendo o homem que é a cruz foi inevitável.

10 – Ele vive! 

Vimos anteriormente o terceiro pilar da fé cristã que é a Palavra se tornou vicária. E isto nos leva ao quarto alicerce: A Palavra vive triunfante. “Apresentou-se vivo”. A ressurreição de Jesus é o selo de Deus autenticando que aceitou a oferta da cruz. Sem a ressurreição ficaríamos em débito e para sempre indecisos sem saber se a bondade é poder. Será que a bondade se agarrará à cruz e não permitirá que algo mais poderoso a destrua – o mal? A ressurreição responde. A bondade não apenas é boa – é poderosa e detém a última palavra nas relações humanas.

11 – Quem tem a última palavra?

Vimos que o quarto pilar da fé cristã é que a Palavra Vive Triunfante. Agora chegamos à quinta pilastra da fé: A Palavra se tornou Palavra final. “Até o dia... em que foi elevado às alturas” (At 1.2). Pedro acrescenta: “Exaltado, pois, à destra de Deus” (At 2.33). Isto significa que ao ser elevado aos céus ele foi colocado à direita de Deus – em outras palavras, à posição de absoluta autoridade final.

12 – O Totalitarismo de Deus e do Homem

Vimos que a quinta pilastra da fé cristã é a Palavra se tornou Palavra final. Esta é uma assertiva, mas não uma assertiva completa. A questão é: Isto pode ser projetado para ser um estilo total de vida? Ou essa assertiva é aplicada somente a Jesus, mas impossível a nós que não podemos nos tornar palavra? A resposta à esta indagação está no sexto pilar: A Palavra se tornou um estilo de vida total – o reino de Deus. “... durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus” (At 1.3).

13 – Tear Cósmico?

No devocional anterior apresentamos a sexta pilastra sobre a qual se firma o Evangelho: A Palavra se tornou um estilo de vida total – o Reino de Deus. O homem precisa obedecer totalmente para que através da obediência a vida tenha coerência e sentido. Sem isto a vida perde o sentido; perde a direção, porque carece de objetivo.

14 – No Limiar da Redenção

Todos os outros pontos unem-se a este último para resolver o problema a seguir: É preciso mudar e reforçar a vida moral e espiritual do homem para que estes coloquem em funcionamento tudo o que Jesus lhes proveu. Não é suficiente que a Palavra se torne carne, e se torne revelação; nem é suficiente que a Palavra se torne vicária ou que se torne a Palavra final; nem mesmo que a Palavra se torne um programa para a vida toda – todos estes aspectos são bons, mas não suficientemente bons se não se tornarem dinâmicos no interior do homem; a menos que os homens sejam capacitados para levarem a termo o propósito de tudo o que Deus determinou realizar em Jesus.

15 – A preparação, a promessa e a performance

Nos primeiros cinco pilares da fé vimos a preparação divina, e nos últimos dois a promessa. A performance divina pode ser vista no restante do livro de Atos dos Apóstolos. O maior ato já realizado – o drama da Redenção do homem deixa para trás os aspectos da preparação e da promessa e avança para a realização – a performance.

16 - Nada é nosso até que esteja agindo em nós!

Passaremos a falar sobre o Espírito Santo “que nos conduz à redenção” – a redenção que opera dentro de cada um de nós.

No dinamismo de nosso interior reside nossa maior necessidade. Cremos em Deus, em Jesus e no reino de Deus, mas eles são como sonhos vazios, inoperantes, irreais, sem pés-no-chão e sem força para poder caminhar. Como movimento cristão estamos aquém, ou longe da única coisa que pode nos manter afinados com as promessas e com o que Deus tem preparado para nosso desempenho, em nós e através de nós. E me refiro à Pessoa do Espírito Santo.

17 - Impotente e não Onipotente

Se o que venho afirmando sobre a impotência da igreja diante da severa necessidade do mundo, observe, então a declaração de um psicoterapeuta, J. A. Hadfield:

Olhando para a igreja nos dias de hoje, ficamos chocados diante de sua impotência. A igreja tem bons intelectuais; prega um tipo de piedade e devoção que todos admiram, sacrifica-se para... fazer beneficência, mas até os admiradores da igreja reclamam que a igreja não os atrai por sua falta de poder. O que admira a todos é a falta de poder e o fracasso da igreja. Este anelo do mundo por inspiração e poder deve-se ao fato de que as pessoas não acreditam As pessoas crêem em Deus, o Pai e o reverenciam... crêem em Deus, o Filho... humildemente tentam seguir seus passos, mas na prática assemelham-se àquele grupo da cidade de Éfeso que disseram a Paulo, “nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo”. E por não terem a fonte de inspiração, são pessoas fracas e descrentes.

18 - Sintomas da pequenez espiritual

 Passaremos a considerar algumas coisas que aconteceram entre os apóstolos antes do Espírito Santo ser derramado sobre eles. Sim, eles tinha uma certa medida do Espírito, mas o Espírito ainda não havia sido derramado abundantemente. Estava com eles, mas não neles. “Porque ele habita em vós e estará em vós”. Tinham o Espírito, mas este não os possuía. Eles usavam a Deus, mas, depois da vinda do Espírito Santo era Deus que os usava. Quais os sinais de que a transição ainda não fora feita?

19 - Os sete obstáculos

Além das cinco coisas mostradas no devocional anterior indicando que os discípulos não haviam tomado posse de sua herança – o Espírito Santo – apresentaremos mais duas.

Eram dominados pela noção pré-cristã: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1.6). Eram espiritualmente néscios. Ainda pensavam num reino universal terreal conforme sua mentalidade nacionalista. Desapontaram a Jesus – o reino de Jesus era bem maior do que seus pequenos corações.

Além de que eram guiados por coisas exteriores, e não pela iluminação espiritual: “Senhor... revela-nos qual destes dois tens escolhido... e os lançaram em sortes” (At 1.24,26). Seu entendimento das coisas divinas ainda residia nas coisas exteriores – não tinham o Espírito habitando dentro deles.

20 - O Obstáculo Principal

Vimos que o obstáculo central no caminho do Espírito Santo foi o ego insubmisso dos discípulos. Tudo estava pronto – menos eles.

Quando o Espírito Santo desceu, no dia de Pentecoste – desceu no dia em que na tradição judaica era o momento mais favorável cheio da atmosfera da auto-entrega. A festa do Pentecoste era o dia em que se ofereciam os primeiros frutos do campo, como símbolo de que a futura colheita pertencia a Deus. Agora, neste grupo, homens e mulheres estavam sendo oferecidos como os primeiros frutos da nova humanidade e que colheriam os frutos futuros através da redenção de Jesus. Aqueles discípulos eram os sinais e símbolos de que a humanidade toda – a futura colheita – pertencia a Jesus.

21. A primeira necessidade: Pertencer

A psicologia afirma que as pessoas têm três necessidades básicas: A necessidade de pertencer; de significância (sentido) e de segurança.

Observe que a primeira da lista é a necessidade de pertencer. O elefante que é expulso do bando pelos machos mais novos se torna agressivo, destrutivo, destruindo árvores, casas, jardins e tudo o que estiver à sua frente, porque já não pertence mais ao grupo. Fica irrequieto e infeliz. O homem atual tem o mesmo sentimento: O de não pertencer. O homem atual, por não pertencer a nada se destrói e destrói seus pares.

22. A caminho do todo

Vimos que os discípulos foram primeiramente chamados para dominar em Jerusalém – o centro de seus maiores problemas. Jesus faria do lugar do maior fracasso dos discípulos o local do maior sucesso deles.

23. A causa da neurose: Fugindo das responsabilidades

Vimos anteriormente que o primeiro controle dos discípulos foi a partir da descida do Espírito Santo, o mestre supremo que resolveu o primeiro problema deles: Jerusalém. Eles não estavam olhando pra alegria que havia dentro de si mesmos, sem encarar Jerusalém; não estavam de cabeça baixa, símbolo de suas almas amarguradas; com medo de Jerusalém. Eles não estavam olhando acima de Jerusalém para a Nova Jerusalém, fugindo à responsabilidade de ter que encarar Jerusalém aqui e agora; ao contrário, olhavam para a Jerusalém cara a cara, sem medo, sabendo que possuíam algo que Jerusalém não tinha e que precisava urgentemente. Ofereceram o que tinham, e Jerusalém acatou, aos milhares.

24. Retornando ao estado de inconsciência

Façamos uma pausa a fim de aplicar este princípio de enfrentar os mais difíceis problemas, aprendendo a dominá-los. Não solucione os problemas periféricos sem primeiro enfrentar o problema central, porque se não resolver o problema principal, este o perseguirá e lhe trará problemas de consciência.

25. Escondidos que podem ser livres

Existe outro lado da ordenança de Jesus aos discípulos de que não deveriam sair de Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder: A ênfase era “poder”. Era possível que não saíssem de Jerusalém, mas que permanecessem ali, porque estavam com medo e “a portas fechadas”. É possível permanecer “trancados” a portas fechadas, com medo. Poderiam dizer a si mesmos: “Não estamos fugindo, estamos ainda em Jerusalém”, e mesmo assim, sem liberdade e sem a coragem de confrontar Jerusalém.

 

Atualizado em 21 de fevereiro de 2010