Prostitutos Cultuais
e Mercadores da Fé
Pastor João A. de
Souza Filho
Eu estava tentando encontrar um
adjetivo para qualificar os atuais cantores e pregadores que cobram
elevadas somas em dinheiro para pregar ou cantar nas igrejas e em
conferências promovidas por evangélicos, e achei que “mercador da
fé” não é um adjetivo apropriado, porque é simples demais para
nominar tais pessoas. Pois bem. Vejo esses exploradores da boa-fé
evangélica como prostitutos cultuais – que é a tradução da versão
atualizada – para os que se prostituíam junto aos templos pagãos e
que depois passaram a se prostituir diante do templo do Senhor em
Jerusalém. Porque os prostitutos (as) cultuais mencionados na Bíblia
exploravam os que se dirigiam ao templo para adoração
oferecendo-lhes um pouco de orgia – orgia sexual revestida de
espiritualidade, como alguns desses a que me refiro que falam
línguas, profetizam, oram pelos enfermos, são místicos e super
espirituais... Mas orgiofantes (como os sacerdotes que prestavam
culto a Dionísio).
Os prostitutos e prostitutas cultuais,
comuns nos templos pagãos passaram a conviver com os adoradores
junto ao templo de Jerusalém, indicativo de uma deformação
espiritual da nação de Israel. Não estou afirmando que é comum tais
pessoas se prostituir de verdade, em orgias sexuais; estou
afirmando, isto sim, que sempre que uma pessoa se afasta de Deus,
comete prostituição com outros deuses – fato mencionado pelo próprio
Deus em várias passagens do Antigo Testamento. Em Ezequiel 16 ele
compara Israel a uma menina, que é cuidada por Deus, adornada e
preparada para ser esposa, mas se prostitui com os povos vizinhos.
Deus se antecipou ao que poderia
acontecer e recomendou a Moisés: “Das filhas de Israel não haverá
quem se prostitua no serviço do templo, nem dos filhos de Israel
haverá quem o faça... Não trarás salário de prostituição nem preço
de sodomita à Casa do Senhor, teu Deus (Dt 23.17-18).
O que se vê hoje no Brasil é uma orgia
espiritual, uma masturbação coletiva praticada por cantores e
cantoras, pregadores e pregadoras, que não conseguiram fazer sucesso
no mundo e encontraram na igreja um filão de negócio; o caminho para
o enriquecimento à custa da espiritualidade dos irmãos.
Imagine o Lázaro da Bíblia, que Jesus
ressuscitou dos mortos gravando seu cd e saindo pelo mundo a pregar
nas igrejas, usando os recursos para comprar bens e imóveis em
Atenas, Roma e Jerusalém. Imagine Dorcas, relatando sua ressurreição
e insinuando aos irmãos por onde pregava que precisava de dinheiro
para comprar máquinas de costura a fim de ajudar os pobres com maior
eficácia, lucrando com a bênção alcançada. Eles seriam excluídos do
rol de membros do céu pelos apóstolos. Pois sei que esses
excrementos espirituais – e não há palavra melhor para descrever
tais pessoas – cobram preços exorbitantes para pregar e cantar. Eu
estava numa cidade pregando o evangelho e em várias cidades daquele
Estado os irmãos se mobilizavam para ouvir o ex (que deve ter
fracassado no mundo) cujo preço varia de 20 a 35 mil reais por
apresentação. Este cantor que explora a espiritualidade do povo deve
ganhar, pelo menos, com a agenda cheia em torno de cem mil reais por
semana! Sim, porque fazem sucessos os ex-, sejam ex de quaisquer
espécies. Ex que tocou na famosa banda do mundo; ex- que se
prostituía com drogas, mas agora se prostitui com dinheiro.
Prostituem-se com a fé. Sim, porque quais prostitutos cultuais do AT
usam da espiritualidade para fazer orgia com o povo com o fim de
levar o povo a se alegrar, enquanto eles ficam ricos.
Uma denominação pentecostal nutriu,
alimentou e criou um pregador que cobra o exorbitante preço de
quinze mil reais por pregação e nunca tomou uma atitude corretiva e
disciplinar quanto a seu enriquecimento e vida pessoal; ao
contrário, alimenta o sucesso desse mercador de dons. Balaão se
sentiria envergonhado!
Assim, quando viajo pelo Brasil sinto
no ar o odor fétido que eles deixam por onde passam; o odor da
prostituição espiritual, o cheiro nauseabundo que costumam exalar os
espiritualmente mortos. Que se prostituem espiritualmente e que
levem pastores, líderes e povo à prostituição com eles é inegável, e
não é de se duvidar de que se prostituam literalmente em seus
confortáveis quartos de hotel. Pregadores e cantores que fazem
exigências incomuns; que não aceitam fazer uma refeição na casa de
irmãos; apenas em restaurantes que servem a La Carte. Que não se
contentam com os bons hotéis e se não houver os melhores, recusam-se
participar de eventos a menos que suas exigências sejam atendidas.
Os culpados são os líderes que atraídos
pela ganância financeira esperam obter lucros com os gananciosos.
Certamente porque muitos pastores, apóstolos e líderes se
prostituíram espiritualmente, empolgados com as riquezas deste
mundo, sonhando com mansões no litoral brasileiro e nas famosas
cidades dos Estados Unidos.
Que posso dizer? Afirmar que alguns
desses pastores que apóiam tais cantores e pregadores, juntamente
com estes sejam descendentes de Balaão – que se prostituiu e usou de
seus dons para ensinar Balaque a armar ciladas para os filhos de
Israel – seria ofender o profeta do Antigo Testamento, que por seu
pecado foi morto por Josué. Quem sabe possuem o DNA de Judas, ou são
da mesma linhagem espiritual que vendem o nosso Senhor em troca das
benesses de Mamom. Pedro e Judas descreveram tais cantores,
pregadores e pastores com adjetivos pouco recomendáveis, afirmando
que estes “andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo.
Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores...
Considerando como prazer a sua luxúria carnal em pleno dia, quais
nódoas e deformidades, eles se regalam nas suas próprias
mistificações, enquanto banqueteiam junto convosco; tendo os olhos
cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas
inconstantes, tendo coração exercitado na avareza, filhos malditos;
abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de
Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça... Esses tais
são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para
eles está reservada a negridão das trevas”
Por mistificações o apóstolo está se
referindo aos que usam dos dons espirituais para se sobrepor aos
demais; eles têm dons, são místicos e falam como se uma nuvem de
transcendência divina repousasse sobre eles.
Faz-se necessária uma limpeza na
igreja, a Casa de Deus, como fizeram Asa e Josafá. Asa tirou de cena
sua própria mãe e “removeu os prostitutos cultuais” que usavam o
templo como local de prostituição. Josafá ainda precisou
intensificar a reforma, porque, de tempos em tempos os
aproveitadores da boa vontade do povo; os exploradores da
espiritualidade das pessoas, tais como eram os filhos de Eli
aparecem na igreja de Deus (1 Rs 15.12; 22.47).
Uma igreja rameira serve de alcova para
os exploradores da espiritualidade do povo. E Deus haverá de limpar
sua igreja.