Figuras de linguagem

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É importante observar que é absolutamente importante conhecer figuras de linguagem para a interpretação de textos. A palavra de Deus é feita de palavras que o Espírito Santo ensina (1 Co 2.13; 1 Ts 2.13; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21, etc.).

Uma figura de linguagem indica a forma como a palavra é usada, pelo fato de que palavra ou palavras são usadas fora de seu sentido normal, de lugar, maneira, com o propósito de chamar a atenção ao que está sendo dito. Trata-se de uma forma legítima de sair da regra normal da linguagem, para enfatizar o que se quer dizer. E nessas figuras de linguagem percebemos a marca do Espírito Santo para expressar suas próprias palavras.

Esta forma peculiar ou diferente pode não ser verdadeira, ou verdadeira, ao sentido literal das palavras; no entanto, é fiel ao seu sentido real e verdadeiro da “verdade”.

Figuras são usadas para dar ênfases, e, portanto, não devem ser ignoradas. O desconhecimento das figuras de linguagem tem levado a erros grosseiros, porque se dá sentido literal ao que é figurativo, ou dando-se sentido figurativo ao que é literal.

Os gregos e romanos tinham centenas dessas figuras que podem ser divididas em três classes: Figuras que envolvem (1) omissão; (2) adição; ou (3) alteração ou mudança de uma palavra, palavras ou do sentido delas.

Em Gn 3.14-15 temos o mais antigo exemplo. Ao interpretar essas figuras literalmente como “ventre”, “pó”, “calcanhar”, “cabeça” perdemos a riqueza e as verdades misteriosas ali implícitas e intensificadas. É a verdade que é literal, enquanto as palavras empregadas são figurativas (Veja no apêndice 19).

Nas notas paralelas encontrar-se-ão os nomes da maioria dessas figuras, e colocamos aqui uma lista delas, fornecendo uma ou mais referências bíblicas como exemplo.

Acismo. Recusa fingida (Mt 15.22-26). Porque é uma recusa apenas aparente.

Acróstico (Sl 119). São letras que se repetem no começo das palavras ou cláusulas.

Ampliativo (Gn 2.23; 1 Sm 30.5). A retenção de um antigo nome, depois que a razão daquele nome ser usado haver passado. Uma cópia. Termo jurídico.

Anábase. Aumento gradual (Sl 18.37-38). Um aumento da ênfase ou do senso em sucessivas sentenças.

Anacenose. Apóstrofe direta aos ouvintes, pedindo-lhes a opinião (1 Co 4.21). Um apelo aos outros que têm interesses comuns.

Anacoluto (Gn 35.3; Mc 11.32). Figura em que, na mesma frase, uma expressão não se liga a outra pelas regras da sintaxe, ou em que há solução de continuidade; anacolutia: quebra-se a sequência dos pensamentos.

Anadiplose (Gn 1.1-2; Sl 121.1-2). Figura que consiste em repetir no começo de um verso ou frase a última palavra da frase ou verso anterior.

Anamnese (Rm 9.3). Figura pela qual o orador simula lembrar-se, na ocasião, de coisas que iria esquecendo, para assim chamar a atenção sobre elas.

Anáfora. (Dt 28.3-6). Repetição de uma ou mais palavras no começo de dois ou mais versos, orações subordinadas ou sucessivas, para efeitos retóricos ou poéticos.

Anástrofe (At 7.48). Inversão da ordem normal dos termos sinteticamente relacionados, como: Baliza natural, ao norte avulta o das águas gigante caudaloso.

Anese (2 Rs 5.1). Adição à uma sentença concluída que diminui o efeito do que foi dito.

Anteisagoge (Mt 21.23-25). Resposta à uma pergunta fazendo-se uma nova pergunta.

Enigma (Gn 49.10; Jz 14.14). Uma verdade dita numa linguagem obscura.

Etiologia ou causa (Rm 1.16), no sentido de dar uma razão pelo que foi dito ou feito.

Afirmação (Fp 1.18). Enfatizando palavras para afirmar o que ninguém argumentou, ou argüiu.

Indignação (Gn 3.13; At 13.10). Expressão que mostra indignação.

Alegoria. Comparação continuada por representação (metáfora) (Gn 49.9; Gl 4.22,24) e implicação (hypocatastasis) (Mt 7.3-5). Figura de retórica, constante de várias metáforas consecutivas, exprimindo por alusão idéia diferente da que se enuncia.

Refrão (Sl 136). A repetição da mesma frase depois de sucessivos parágrafos.

Anfibologia ou sentido duplo (Ez 12.13). Palavra ou frase susceptível a duas interpretações, ambas verdadeiras.

Dupla correção (1 Co 11.22). Correção que ordena o que ouve e o que fala.

Anadiplose. Figura que consiste em repetir no começo de um verso ou frase a última palavra da frase ou verso anterior (Gn 1.1,2; Sl 121.1-2). As palavras ou palavra que conclui uma frase é repetida no começo da outra.

Antropopatia (Gn 1.2; 8.21; Sl 74.11; Jr 2.13; Os 11.10). Atribuir a Deus sentimentos humanos ou a outros seres ou coisas da natureza.

Anti-categoria (Ez 18.25). Retrucar as insinuações ou acusações feitas contra nós. Acusação feita em resposta a outra.

Antimeria (palavra latina) que significa uma troca de partes da fala.

(1) Do verbo. O verbo é usado em vez de outra parte da fala (Gn 32.24; Lc 7.21).

(2) Do advérbio. O advérbio é usado em vez de alguma outra parte da fala (Gn 30.33; Lc 10.29).

(3) Do adjetivo. O adjetivo é usado em vez de outra parte da fala (Gn 1.9; Hb 6.17).

(4) Do substantivo. É usado em vez de alguma parte da fala (Gn 23.6; Tg 1.25).

Antimetábole (Gn 4.4,5; Is 5.20). Palavra repetida na ordem inversa, com o objetivo de fazê-las se opor.

Antimetátese ou diálogo (1 Co 7.16). A transferência de pessoas que falam. Dirige-se ao leitor como se este estivesse presente.

Antífrase ou permutação (Gn 3.22). Emprego de uma frase ou locução em sentido oposto ao usual, geralmente por ironia ou propósito supersticioso. Diferentemente do sentido original.

Prosopopéia. Coisas representadas como se pessoas fossem.

(1) Os membros do corpo humano (Gn 48.14; Sl 35.10).

(2) Animais (Gn 9.5; Jó 12.7).

(3) Os produtos da terra (Na 1.4).

(4) Coisas inanimadas (Gn 4.10).

(5) Reinos, países e estados (Sl 45.12).

(6) Ações humanas, e atribuições a coisas, etc. (Gn 18.20; Sl 85.10). Antônimo: Antiprosopopéia ou anti-personificação (2 Sm 16.9).

Antiptose. (Mudança de caso). Figura que consiste no emprego de um caso por outro (Ex 19.6 cf. 1 Pe 2.9). Um caso colocado para outro caso em que o substantivo é usado como adjetivo.

Antístrofe. Repetição de um grupo de palavras em ordem inversa à enunciação anterior (Mt 15.26-27). Tomando as palavras de uma pessoa contra ela mesma.

Antítese ou contraste. Figura pela qual se opõem numa mesma frase duas palavras, expressões, pensamentos, inteiramente contrários (Pv 15.17).

Antonomásia. Figura que consiste em substituir o nome próprio por um nome comum ou por uma expressão que o dê a entender e vice-versa (Gn 31.21).

Aférese. Supressão de uma letra ou sílaba no princípio do vocábulo; ablação (Jr 22.24).

Apodioxe. Rejeição de um argumento por absurdo, sem descer à discussão (Mt 16.23).

Apófase. Refutação feita pelo autor ou pelo orador do que ele próprio afirmara antes (FM 19). O escritor acrescenta uma insinuação negativa.

Aporia. Dúvida ou hesitação, que o orador tem ou finge ter sobre o que há de dizer (Lc 16.3).

Aposiopese. Reticência, interrupção intencional da frase, ficando a oração gramatical incompleta. Silêncio repentino. Pode ser associado a:

(1) Alguma grande promessa (Ex 32.32).

(2) Ira e ameaças (Gn 3.22).

(3) Pesar e lamento, queixa. (Gn 25.22; Sl 6.3).

(4) Inquirir, indagar e desaprovar (Jo 6.62).

Apóstrofe. Interrupção que o orador ou o escritor faz, para se dirigir a seres reais ou fictícios. Interpelação direta e imprevista que pode ser de

(1)   Deus (Ne 6.9).

(2)   Homem (2 Sm 1.24-25).

(3)   Animais (Jl 2.22).

(4)   Seres inanimados (Jr 47.6).

Associação. Inclusão (At 17.27). Quando o pregador se compara àqueles a quem se dirige, ou a quem se refere.

Asterismo. Indicações (Sl 133.1). Uso de alguma palavra que confere atenção especial a um ponto ou argumento.

Asindetom (Mc 7.21-23; Lc 14.13). Omite-se a conjunção normal para que o ponto a ser enfatizado possa ser visto rapidamente e se termina com um clímax enfático. (Cf. polisindentom e Lc 14.21).

Batologia. Repetição enfadonha e desnecessária dos mesmos pensamentos pelas mesmas palavras. 2 Superfluidade de palavras (1 Rs 18.26). Jamais usada pelo Espírito Santo: Sempre pelo homem.

Benedictio ou bênção (Gn 1.22,28; Mt 5.3-11). Sentimento de ser abençoado.

Braquiologia. Redução de uma frase aos elementos essenciais; concisão de expressão condensada. Na realidade uma forma de elipse (Gn 25.32). Veja elipse I.3.

Catábase. Período de declínio ou retrocesso. Melodia descendente, na música grega antiga. Usada para enfatizar humilhação, tristeza, etc. Antôn: anábase.

Catacrese. Figura de sintaxe que consiste em aumentar a extensão da palavra, empregando-a no sentido analógico e não no sentido próprio.

(1) De duas palavras quando os sentidos são remotamente semelhantes (Lv 26.30).

(2) Duas palavras cujos sentidos são diferentes (Ex 5.21).

(3) De uma palavra em que o grego recebe seu sentido real por permutação de outra linguagem (Gn 1.5; Mt 8.6).

Cataploce ou exclamação repentina (Ez 16.23). Nome dado a um parêntesis quando toma a forma de uma repentina exclamação.

Cleuasmos. (Palavra grega para sarcástico) (Sl 2.4).

Cronografia. Medição do tempo por métodos gráficos, de intervalos de tempo (como, p ex, no estudo de um movimento rápido e complexo (Jo 10.22). O ensinamento de algo importante mencionando-se o tempo.

Clímax (2 Pe 1.5-7). Anadiplose repetida em sentenças sucessivas (Veja anadiplose acima).

Coenotes. É um composto de anáfora e epístrofe que consiste na repetição de frases, não apenas de palavras (Sl 118.8-9).

Correspondência. Termo usado na repetição de um assunto ou assuntos, que reaparece em várias ordens, determinando, assim a “estrutura” de uma porção do texto sacro. Pode ser encontrado nas seguintes formas:

1. Alternada. Em que o sujeito do membro alternativo corresponde com cada um, seja por similaridade ou por contraste.

(a) Estendida. Quando existem duas séries, mas cada uma delas com vários membros (Sl 72.2-17; Sl 132).

(b) Repetida. Quando existem mais de duas séries de matérias, cada uma delas com dois membros (Sl 26. Sl 145) ou que consiste de mais de dois membros cada (Sl 24).

2. Introvertida. Quando a primeira matéria de uma série corresponde com a última matéria da segunda (Gn 43.3-5; Lv 14.51-52).

3. Complexa ou combinada. Quando tanto na alternação quando na introversão se combinam de várias maneiras (Ex 20.8-11; Sl 105).

Ciclóide. Repetição em círculo (Sl 80.3,7.19). A repetição da mesma frase em intervalos regulares.

Deprecação (Ex 32.32). Sentimento. Rogativa. Súplica.

Dialogismo ou diálogo (Is 63.1-6). Quando uma ou mais pessoas estão falando, e não apenas uma.

Diasirmo (Mt 26.50). Espécie de hipérbole, com que se encarece exageradamente uma coisa comum, baixa ou ridícula; ironia.

Expansão (Gr Diexodo). (Jd 12,13). Uma descrição extensa dos fatos.

Exclamação (Ecfonese) (Rm 7.24). Explosão de palavras saídas da emoção.

Ironia (Gr eroneia). Expressão de pensamentos que querem dizer o oposto.

1. Ironia divina, em que o que fala é Divino (Gn 3.22; Jz 10.14).

2. Ironia humana, em que o homem é quem fala (Jó 12.2).

3. Testando a pessoa (Gn 22.2).

4. Ironia simulada, em que as palavras são usadas como dissimulação (Gn 37.19; Mt 27.40).

5. Ironia enganosa, em que as palavras são claramente falsas bem como hipócritas (Gn 3.4,5; Mt 2.8).

Ejaculação. Abundância de palavras (Os 9.14). Um parêntesis que consiste de um pequeno desejo ou oração.

Candura (Eleutheria) (Lc 13.32). A pessoa sem intenção de ofender, fala com liberdade e ousadia.

Elipse ou omissão. Quando se deixa um vazio de maneira proposital numa frase omitindo-se alguma palavra ou várias palavras.

I. Elipse absoluta, em que a palavra omitida ou palavras são supridas na natureza da manteria.

1. Substantivos e pronomes (Gn 14.19,20; Sl 21.12).

2. Verbos e particípios (Gn 26.7; Sl 4.2).

3. Certas palavras conectadas na mesma passagem (Gn 25.32; Mt 25.9). Chamada de Braquiologia.

4. Uma cláusula completa numa passagem (Gn 30.27; 1 Tm 1.3,4).

II. Elipse relativa.

1. Em que a palavra omitida é suprida a partir de um cognato no contexto (Sl 76.11).

2. Em que a palavra omitida é suprida de uma palavra semelhante ou contrária (Gn 33.10; Sl 7.11).

3. Em que a palavra omitida é suprida de uma análoga ou semelhante (Gn 50.23; Is 38.12).

4. Quando a palavra omitida está contida noutra palavra e uma única palavra comprime o sentido das duas (Gn 43.33).

III. Elipse de repetição.

1. Simples. Em que a elipse é suprida de uma palavra precedente ou cláusula posterior (Gn 1.30; 2 Co 6.16).

2. Complexa, quando duas cláusulas estão mutuamente envolvidas, e o elipse na cláusula anterior é suprido pela última; e, ao mesmo tempo uma elipse na última cláusula é suprida pela cláusula anterior (Hb 12.20.

Enantiose ou contrárias (Lc 7.44-46). Afirmativas ou negativas ao contrário.

Entimena. (Omissão de uma premissa). (Mt 27.19). Silogismo com uma só premissa, dando-se por subentendida a segunda.

Epidiplose ou círculo duplo (Gn 9.3; Sl 27.14). A repetição da mesma palavra ou palavras no começo e no fim das frases.

Epanalepse. Reassumir. Repetição de uma palavra no meio de duas ou mais frases seguidas (1 Co 10.29; Fp 1.24). Repete-se a mesma palavra depois de uma pausa ou parêntesis.

Epânodo ou inversão (Gn 10.1-31; Is 6.10). Figura pela qual se repetem, separadamente, palavras que primeiramente se disseram juntas.

Epanortose ou correção (Jo 16.32). Correção que o orador finge dar à frase já proferida, para substituir uma palavra ou a oração inteira por outra mais enfática.

Epíbole ou repetição (Sl 29.3,4,5,7,8,9). A repetição da mesma frase em intervalos regulares.

Epícrise ou julgamento (Jo 12.33). Frase curta dita no final como uma conclusão.

Epímone (Jo 21.15-17). Figura de linguagem, consiste na repetição de uma palavra, com pequenas diferenças morfológicas.

Epifonema ou exclamação (Sl 135.21). Exclamação sentenciosa com que se termina uma narrativa interessante ou um discurso.

Epiphoza o mesmo que epístrofe na argumentação (2 Co 11.22). A repetição da palavra ou palavras no fim de sentenças sucessivas usadas na argumentação.

Epístrofe (Gn 13.6; Sl 24.10). Repetição de uma palavra ou expressão no fim de frases ou sentenças seguidas.

Epítase ou amplificação (Ex 3.19). Em que uma sentença concluída é acrescentada para se aumentar a ênfase.

Epiterapéia ou qualificação (Fp 4.10). Uma frase acrescentada no final para curar, amaciar, mitigar ou modificar o que foi anteriormente falado.

Epíteto (Gn 21.16; Lc 22.41). Quando se descreve uma coisa no sentido de realçar seu sentido. Alcunha.

Epitimesis ou reprimenda (Lc 24.25). Expressão de censura ou reprovação.

Epitrecom ou fluindo juntamente (Gn 15.13; Jo 2.9). Uma frase incompleta em si mesma, lançada como observação explicativa. (veja abaixo).

Epitrocasmos, palavra grega para sumário (Hb 11.32).

Epítrope ou admitir (Ec 11.9). Admitir-se o que está errado para se conseguir o que é certo.

Epizeuxe ou duplicação (Gn 22.11; Sl 77.16). Repetição da mesma palavra seguidamente, quer para amplificar, quer para exprimir compaixão, quer para exortar. Repetição da mesma palavra com o mesmo sentido.

Erótese ou interrogativa (Gn 13.9; Sl 35.10). Figura de linguagem em que uma afirmativa forte do contrário está implícita sob uma interrogação. Uma pergunta, não para se obter resposta ou informações. Essas perguntas devem ser feitas:

(1)   Afirmações positivas.

(2)   Afirmativas negativas.

(3)   Afirmação de uma negação.

(4)   Demonstração.

(5)   Em admiração e perplexidade.

(6)   Em arrebatamento.

(7)   Em desejos.

(8)   Em recusas e negativas.

(9)   Em dúvidas.

Etopopéia ou formas descritivas (Is 3.16). A descrição das peculiaridades de uma pessoa, seu jeito, seus caprichos, hábitos, etc.

Euche ou oração (Is 64.1-2). Sentimentos expressos pela oração, maldições ou imprecações.

Eufemismo (Gn 15.15). Quando uma expressão agradável é usada para alguém desagradável.

Exemplo (Lc 17.32). Concluindo-se uma frase, dando-se exemplos.

Exergásia (Zc 6.12,13). Uma repetição com o objetivo de ilustrar o que foi dito. Aclaração de uma idéia por meio de outras equivalentes.

Exoutenismos ou desprezo (2 Sm 6.20). Mostrando descontentamento, desprezo.

Gnome ou citação. Citação de um adágio ou provérbio sem mencionar o nome do autor.

1. Quando o sentido original da intenção é preservado, inda que as palavras variem (Mt 26.31).

2. Quando o sentido original é modificado na frase ou na referência (Mt 12.40).

3. Quando o sentido é bem diferente da intenção original (Mt 2.15).

4. Em que as palavras procedem do hebreu ou da septuaginta (Lc 4.18).

5. Em que as palavras são variadas por omissão, adição ou transposição (1 Co 2.9).

6. Quando as palavras são mudadas pela leitura ou por uma inferência, em número, pessoa, modo ou tempo (Mt 4.7).

7. Quando duas ou mais citações estão amalgamadas (Mt 21.13).

8. Quando citações são de livros e não da Bíblia (At 17.28).

Hendíadis ou dois a dois (Gn 2.9; Ef 6.18). Usam-se duas palavras, mas com um só sentido. Ex. pela poeira e pela estrada, ao invés de pela estrada poeirenta, ou pela poeira da estrada (Michaellis).

Hendiatris ou três em um (Dn 3.7). Três palavras são usadas, mas com um só sentido.

Hermenêutica ou interpretação (Jo 7.39). Uma explicação imediata a uma declaração para torná-la mais clara.

Heterose ou mudança de acidente. Mudança da voz, modo, tempo, pessoa, número, grau ou gênero para outra.

1. Das formas de vozes (1 Pe 2.6).

2. De modo (Gn 20.7; Ex 20.8).

3. Tempo (Gn 23.11; Mt 3.10).

4. De pessoa (Gn 20.27; Dn 2.36).

5. De adjetivo ou grau e advérbios (2 Tm 1.18).

6. De substantivos (número), adjetivos e pronomes (Gn 3.8; Hb 10.28).

7. De gênero (Gn 2.18; Hb 7.7).

Homoptoto ou inflexão (2 Tm 3.2-3). Frases que terminam de maneira similar com inflexão de verbos, substantivos, etc. Esta figura pertence às línguas originais. Emprego seguido de substantivos no mesmo caso ou de verbos no mesmo tempo, modo ou pessoa.

Homeopróforo ou aliteração (Jz 5). Repetição da mesma letra ou sílaba no começo de sucessivas palavras. Cacofonia que resulta de começarem pela mesma letra todas ou muitas palavras de uma frase.

Homotelêuto ou finais iguais (Mc 12.30). Repetição das mesmas palavras ou letras no final de palavras sucessivas. Usada também como omissão no fim do texto por desinência semelhante em palavras empregadas sucessivamente. Veja Js 2.1

Hipálage, palavra grega para inter-mudança (Gn 10.9; 1 Rs 17.14). Palavra que logicamente pertence a uma conexão e é gramaticamente unida a outra.

Hipérbato ou transposição (Rm 5.8). Colocação de uma palavra fora de ordem normal da frase. Figura de sintaxe que consiste na intercalação entre dois termos, que entre si se relacionam, de um terceiro: O das águas gigante caudaloso, ao invés de: O gigante caudaloso das águas (Michaellis).

Hipérbole ou exagero (Gn 41.47; Dt 1.28). Quando se diz mais do que literalmente se pensa.

Hipocatástase (Gr Hypocatastasis) implicação (Mt 15.13; 16.6). Semelhante implícita ou representação.

Hipotimése (Gr hypotimesis) subestimado (Rm 3.5). Adição parentética usando-se de apologia ou escusa.

Hipotipose ou palavra ilustrada (Is 5.26-30). Representação de objetos ou ações por palavras.

Histerese ou narração subsequente (Gn 31.7,8; Sl 105.18). Quando o último registro fornece suplementos que não estão inseridas no registro.

Histerologia ou a primeira última (Gn 10 e 11; 2 Sm 24). A menção prior a evento subsequente. Inversão da ordem natural das partes da oração.

Idioma. O uso peculiar de palavras ou frases, de qualquer nação ou tribo, em contraste com outros idiomas e dialetos.

1. Uso idiomático de verbos (Gn 42.38; 1 Jo 1.10).

2. Uso especial de substantivos e de verbos idiomáticos (Gn 33.11; Jr 15.16).

3. Graus e comparações idiomáticas (Lc 22.15).

4. Uso idiomático de preposições (Lc 22.49).

5. Uso idiomático de numerais (Sl 103.2).

6. Formas idiomáticas de citações (Sl 109.5).

7. Formas de questões idiomáticas (Lc 22.49).

8. Frases idiomáticas (Gn 6.2,4).

9. Idiomas que surgem de outras figuras de linguagem.

10. Mudança no uso de palavras no idioma grego (Gn 43.18; Mt 5.25).

11. Mudanças no uso de palavras no inglês (Gn 24.21; 2 Rs 3.9).

Interjeição (Sl 42.2). Adição parentética de sentimentos.

Meiose ou miose ou depreciação (Gn 18.27; Nm 13.33). Depreciando uma coisa para exaltar outra.

Merisma ou distribuição (Rm 2.6-8). Divisão de um assunto em partes distintas.

Mesarquia ou repetições no começo e no meio (Ec 1.2). Consiste da repetição de uma mesma palavra no começo e no meio de sentenças contínuas.

Mesodiplose ou repetição no meio (2 Co 4.8,9). Repetição de uma mesma palavra no meio de sentenças contínuas.

Mesotelêutom ou Repetição no meio e fim (2 Rs 19.7). Repetição da mesma palavra (s) no meio e no fim de sucessivas sentenças.

Metabase ou transição (1 Co 12.31). Passagem de um tema ao outro.

Metalepse ou metonímia dupla (Gn 19.8; Ec 12.6; Os 14.2). Variedade de metonímia pela qual os antecedentes dão a conhecer os conseqüentes e vice-versa ou, pelo sinal, a coisa significada.

Metalage ou mudança (Os 4.18). Um tema diferente é substituído pelo original.

Metáfora ou representação (Mt 26.26). Declaração do sentido de um ato, enquanto uma símile representa e uma hipocatástase sugere.

Metástase ou culpa (1 Rs 18.17,18). Figura em que um orador lança à conta de outrem as coisas a que ele se refere.

Metonímia ou mudança de substantivo, quando um nome ou substantivo é usado em vez de outro, mas com a mesma relação.

1. Da causa. Quando a causa é colocada como efeito (Gn 23.8; Lc 16.29).

2. Do efeito. Quando o efeito é colocado como causa (Gn 25.23; At 1.18).

3. Do sujeito. Quando o sujeito é colocado como pertinente a ele (Gn 41.13; Dt 28.5).

4. Do adjunto. Quando algo pertinente ao sujeito é colocado como sujeito (Gn 28.22; Jó 32.7).

Mimese ou descrição de expressões (Ex 15.9). Figura em que o orador imita a voz ou o gesto de outrem.

Negação (Gl 2.5). A negação de algo que não foi afirmado.

Oximoro (1 Tm 5.6). Engenhosa aliança de palavras ou frases contraditórias ou incongruentes. Como se fosse bobagem.

Palinódia ou retratação (Ap 2.6). Retratação do que se disse ou fez. Aprovação de uma coisa depois de se retratar de outra.

Parábola ou símile contínua (Lc 14.16-24). Comparação por semelhanças contínuas.

Paradiástole ou nada ou nãos (Ex 20.10; Rm 8.35,38,39). A repetição de disjuntivos, nada, não, etc. Distinção estabelecida entre duas idéias que apresentam grande analogia.

Parenético ou exortação (1 Tm 2). Expressão de sentimento através de exortação.

Paralépse ou passagem (Hb 11.32). Quando se expressa um desejo através de um sujeito.

Paralelismo ou linhas paralelas. A repetição similar de sinônimos ou pensamentos opostos ou palavras em linhas sucessivas e paralelas. Cf. Correspondência.

1. Simples. Sinônimos ou graduais. Quando as linhas são paralelas no pensamento e no uso de palavras sinônimas (Gn 4.23,24; Sl 1.1).

2. Simples antitética ou oposta. Quando as palavras são contrastadas em duas ou mais linhas, opostas no sentido a outra (Pv 10.1).

3. Simples, sintética ou construtiva, quando o paralelismo consiste somente de forma similar de construção (Sl 19.7-9).

4. Complexa alternada. Quando as linhas são colocadas alternadamente (Gn 19.25; Pv 24. 19,20).

5. Complexa repetida alternada. A repetição de dois temas paralelos em várias linhas (Is 65.21,22).

6. Complexa alternação estendida. Consiste de três ou mais linhas (Jz 10.17).

7. Complexa introversão. Quando as linhas paralelas são colocadas de tal maneira que a primeira corresponde com a última; a segunda com a última, menos uma, etc. (Gn 3.19; 2 Cr 32.7,8).

Parécbase ou digressão (Gn 2.8-15). O tema é temporariamente deixado de lado para se tratar de outro.

Parechesis (sem correspondente em português). Paronomásia estrangeira (Rm 15.4). Repetição de palavras similares em som, mas diferentes em linguagem: Escrita  e fonética iguais, mas com sentidos diferentes.

Paregmenon ou derivação (Mt 16.18). A repetição de palavras que se derivam de uma mesma raiz.

Parêmbole ou inserção (Fp 3.18,19). Inserção de uma frase entre outras, mas que é independente e completa por si mesma.

Parêntesis ou parêntese (2 Pe 1.19). Inserção de uma palavra ou frase parentética necessária para esclarecer o contexto.

Provérbio (Gn 10.9; 1 Sm 10.12). Ditos populares e comuns.

Paramologia ou inflexão sonora parecida (Mt 11.17). A repetição de inflexões similar no som.

Paronomásia ou palavras rítmicas (Gn 18.27). Repetição de palavras similares em som, mas não no sentido. Semelhança entre palavras de diferentes línguas, indicativa de uma origem comum.

Patopéia (Lc 19,41,42). Expressão que demonstra sentimentos ou emoções. Figura com que se procura comover, excitar as paixões.

Perífrase ou circunlóquio (Gn 20.16; Jz 5.10). Quando se descreve em vez de se nominar. Emprego de muitas palavras, para exprimir o que se poderia dizer mais concisamente; circunlóquio, rodeio de palavras.

Perístase ou descrição de circunstâncias (Jo 4.6). Assunto completo de um discurso, com todas as suas minúcias.

Pleonasmo ou redundância. O que se diz é imediatamente repetido de maneira oposta sem que se perca o sentido. Repetição, no falar ou no escrever, de idéias ou palavras que tenham o mesmo sentido. A figura pode afetar (1) as palavras (Gn 16.8) ou (2) as frases (Gn 1.20; Dt 32.6).

Polionimia ou pluralidade de nomes (Gn 26.34,35; 2 Rs 23.13). Lugares ou pessoas designadas sob nomes diferentes.

Poliptoto ou muitas inflexões. Repetição, num período, da mesma palavra, sob diversas formas gramaticais.

1. Verbos (Gn 50.24; 2 Rs 21.13).

2. Substantivos e pronomes (Gn 9.25; Rm 11.36).

3. Adjetivos (2 Co 9.8).

Polissíndeto ou muitos “e” (Gn 22.9,11; Js 7.24; Lc 14.21). Repetição da letra “e”  no começo de cláusulas sucessivas, cada uma delas independente, importante e enfática sem clímax no final.

Prolepse ou antecipação (Hb 2.8). Antecipando-se ao que será, abordando coisas do futuro no presente. Figura pela qual se previnem objeções, fazendo-as antecipadamente a si mesmo e refutando-as logo depois.

1. Prolepse aberta. Quando o objeto antecipado é respondido e comprovado (Mt 3.9).

2. Prolepse fechada. Quando o objeto antecipado não está bem claro, declarado ou respondido (Rm 10.18).

Prosopografia ou descrição de pessoas (Mt 3.4). A vívida descrição de uma pessoa em detalhes, como numa foto.

Prosopopéia ou personificação. Pessoas representadas em coisas. Figura pela qual se atribui qualidade ou sensibilidade humana a um ser inanimado e se fazem falar as pessoas ausentes e até os mortos.

1. Os membros do corpo humano (Gn 48.14; Sl 35.10).

2. Animais (Gn 9.5; Jó 12.7).

3. Produtos da terra (Na 1.4).

4. Coisas inanimadas (Gn 4.10).

5. Reinos, países e estados (Sl 45.12).

6. Ações humanas, atribuídas a coisas, etc. (Gn 18.20; Sl 85.10).

Protherapeia (Gr Conciliação). Aplacando e conciliando antes de começar a falar alguma coisa.

Protiméseo ou descrição de ordem (1 Co 15.5-8). Enumeração de coisas de acordo com seu lugar de honra e de importância.

Repetição (2 Cr 20.35-37; Jo 14.1-4). Repetição da mesma palavra (s) irregularmente na passagem.

Símile ou semelhança (Gn 25.25; Mt 7.24-27). A declaração de que uma coisa se parece com a outra (cf. metáfora).

Simultânea ou inserção (Ap 16.13-16). Tipo de parêntese histórico, um evento colocado fora de seu lugar histórico entre dois outros e que são simultâneos.

Silepse – mudança ou acordo (Jo 21.12). Figura pela qual as palavras concordam segundo o sentido e não segundo as regras da sintaxe. Emprego de uma palavra no sentido próprio e figurado, simultaneamente.

Silogismo ou omissão da conclusão (1 Sm 17.4-7). A conclusão, inda que implícita não vem expressada, para que a ênfase seja dada.

Símbolo (Is 22.22). Um objeto material que aponta para uma verdade moral ou espiritual.

Sinatroísmo ou enumeração (1 Tm 4.1-3). Figura que consiste em se acumularem numa frase muitos termos de significação correlativa, isto é, muitos adjetivos, muitos verbos etc.

Síncrise ou símile repetida (Is 32.2). Antítese, contraste, oposição. Comparação de duas coisas ou pessoas contrárias.

Sinédoque ou transferência. A transferência de uma idéia por outra associada.

1. Do gênero ou espécie. Quando o gênero é colocado para a espécie, ou algo que é universal colocado como particular (Gn 6.12; Mt 3.5).

2. Das espécies. Quando as espécies é colocada como gênero, ou o que é particular colocado como universal (Gn 3.19; Mt 6.11).

3. Do todo. Quando o todo é colocado como parte (Gn 6.12).

4. Da parte quando é colocada como o todo (Gn 3.19; Mt 27.4).

Sinizese ou coabitação (Mt 19.16,17). A repetição da mesma palavra na mesma frase com um sentido ampliado. Pronúncia de duas vogais distintas em um único tempo prosódico, sem fazer ditongo.

Sinonímia ou palavras sinônimas (Pv 4.14,15). A repetição de palavras semelhantes, mas foneticamente diferentes e de outra origem.

Tapeinóse (ver meiose) (Gn 27.44; Rm 4.19). A diminuição de uma coisa para que seja a mesma coisa intensificada.

Taumatopeu (Gr thaumatopoiós) ou maravilhas (Rm 11.33). Uma expressão ou sentimento de maravilha.

Tmese (o mesmo que mesóclise = cortar ao meio) (Ef 6.8). Mudança na qual uma palavra é cortada em duas, e outra colocada entre elas.

Topografia ou descrição de lugar (Is 10.28-32). Lançando luz sobre o assunto tratado referindo-se à localidade.

Tipo (Rm 5.14). Figura ou modelo de algo futuro, mais ou menos profético, chamada antítipo. Ex. Cristo era o antítipo do cordeiro pascal.

Zeugma ou jugo desigual. Quando um verbo é atrelado a dois sujeitos, enquanto gramaticalmente um segundo verbo seja requisitado.

1. Proto-zeugma ou ante-jugo (Gn 4.20; 1 Tm 4.3).

2. Meso-zeugma ou jugo do meio (Lc 1.64).

3. Hipo-zeugma ou jugo final (At 4.27-28).

4. Sine-zeugmenon ou Jugo igual (Ex 20.18).

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